BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro


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Top 10: Melhores Shows (parte II)



AGNOSTIC FRONT, Black Jack - S.Paulo, SP (1998)

Em sua primeira visita ao Brasil, a banda novaiorquina Agnostic Front fez 3 shows num Black Jack completamente lotado. Pouco menor que o CBGB's, onde o Agnostic gravou um célebre disco ao vivo, o Black, mesmo sem o glamour e o status do clube de NY, é um templo do underground paulistano. Não haveria lugar mais indicado para receber Roger Miret e companhia.

O primeiro show foi uma roubada. Meia-dúzia de pseudo seguranças ficaram na frente do palco de braços cruzados e a banda tocando atrás. Uma piada... Todo mundo chiou e na noite seguinte, o Agnostic tocou de cara para o público.

Se você lembra do clipe de "Anthem", que rolava esporadicamente nos tempos em que a MTV tinha música na programação, imagine um cenário parecido. Banda e público se tornam uma coisa só. O guitarrista Vinnie Stigma - lenda-viva da cena de NY - tinha seu nome gritado pelos fãs straight edge, Miret se atirava no meio do crowd e Rob Kabula tocava seu baixo alheio ao caos do lugar. Porradas como "Crucify", "Shot his Load" e "Gotta Go" (naquela época ainda inédita em disco) fizeram parte do repertório. Um dos melhores shows de hardcore realizados no Brasil.


MOTÖRHEAD, Ginásio do Ibirapuera - S.Paulo, SP (1989)<

No mesmo ano e no mesmo palco que o Metallica se apresentou durante a turnê de "And Justice for All", Lemmy e seus comparsas fizeram um dos shows mais memoráveis da década de 80. A abertura ficou por conta de duas insossas bandas nacionais cujos nomes nem merecem lembrança. Pior que isso foi o insano DJ (?) que tocou o álbum "Back in Black", do AC/DC, mais de 10 vezes durante a noite!

Quando o público já estava à beira de um ataque de nervos, as cortinas se abrem e o Motörhead entra no palco sob efeitos pirotécnicos e mandando ver com "Dr. Rock"!

Foi a primeira apresentação da banda em solo brasileiro e com um line-up excelente. Além do Deus do rock'n'roll, Lemmy Kilmister, faziam parte da banda o baterista orginal Philty "Animal" Taylor e os guitarristas Würzel e Wizzo.

O Motörhead tem repertório suficiente para tocar clássicos do início ao fim de seus shows. Assim, interpretaram pérolas como "Ace of Spades", "Overkill", "Built for Speed" e "Iron Fist", entre outras. A banda e o set-list falam por si.


ASIAN DUB FOUNDATION, Sesc Belenzinho - S.Paulo, SP (2001)

A postura engajada pode chamar a atenção no Asian Dub Foundation, mas sua música existe pra fazer esqueletos se mexerem. O show deles em Sampa foi visto por cerca de 1.500 pessoas e pouca vezes vi uma platéia tão envolvida com uma banda.

O groove dos asiáticos/ingleses transformou o lugar num caldeirão. Samples, bateria, percussão oriental, baixo, guitarra e dois vocalistas produzindo uma massa sonora contagiante. O guitarrista Chandrasonic é um guru na mistura entre rap, rock e drum'n'bass. Hits como "Free Satpal Ram" e "Rebel Warrior" incendiaram o lugar. No Brasil, é raro ter a chance de ver uma banda estrangeira no auge e numa apresentação tão inspirada.


MISFITS,Broadway - S.Paulo, SP (1998)

Que o Misfits é uma das melhores e mais criativas bandas surgidas na cena punk americana, quase todo mundo sabe. E os caras também tiveram a proeza de transitar entre gêneros incompatíveis como rock'a'billy e thrash metal. O grupo se separou em 1983 e deixou um legado de cerca de 100 músicas espalhadas em compactos e 3 LPs.

O retorno do Misfits sem seu vocalista e principal compositor, Glenn Danzig, foi bem morno. A razão para esse show entrar na lista é puramente nostálgica. Comparado com a atual turnê caça-níqueis que tem Marky Ramone na bateria, o show do Misfits na Broadway foi histórico.

A apresentação começou com exibição de trechos de filmes de terror e "sci-fi" num telão, sob o som de “Halloween II” (a versão em latim cantada por Danzig). Com o palco na penumbra, um cara vestido de Crimson Ghost atravessa arrastando correntes e, só depois, os “monstros famosos” invadem o palco.

Além da introdução teatral, o repertório foi de primeira. “Hybrid Moments”, “20 Eyes” e “Last Caress” fizeram parte do set-list. Foi quase surreal ver Doyle e Jerry Only num palco daquele tamanho depois de quase 20 anos. Só faltou o Danzig.

JELLO BIAFRA & R.D.P., Aeroanta – S.Paulo,SP (1992)<

Por ocasião do lançamento do livro “Barulho”, o maior mito do punk americano esteve em terras brasileiras e participou de uma jam histórica com integrantes do R.D.P. e Sepultura.

O show programado era de João Gordo e companhia, mas Jello Biafra, com toda a expectativa que se criou, acabou cedendo e participou de 3 músicas ao lado dos brasileiros. Foram elas: “Holiday in Cambodia”, do Dead Kennedys, “Fork Boy” e “Pineapple Face”, do Lard. Paul Barker, baixista do Ministry e do Lard, esteve presente, mas preferiu não tocar.

Os 15 minutos com Jello no palco foram suficientes para transformar esse show num acontecimento! Além de ativista, pensador e cantor dos mais talentosos, Biafra tem uma presença de espírito impressionante.

No Rio de Janeiro, ele deu uma canja no show do Mano Negra, que se apresentava na ECO 92, e cantou “I Fought the Law” ao lado dos franceses. Lamento não ter visto isso, mas, no Aeroanta, aguentei o ex-líder do Dead Kennedys dando um stage diving em cima da minha cabeça. Isso que é recordação...

Ficaram de foram do Top 10, mas merecem lembrança:

SEPULTURA, World’s Thrash Festival – S.Paulo, SP (1987)

RAMONES, Dama Xoc – S.Paulo, SP (1991)

LIVING COLOUR, Pacaembu – S.Paulo, SP (1992)

BUZZCOCKS, Aeroanta – S.Paulo, SP (1995)

DICK DALE, Twister – Santos, SP (1996)

MAN OR ASTRO-MAN?, Broadway – S. Paulo, SP (1998)

AGENT ORANGE, Palace – S.Paulo, SP (1998)

RASTA KNAST, Alternative – S.Paulo, SP (2000)

FREAK SEASON, CBGB’s – Nova York, USA (2001)

THE MONSTERS, Black Jack – S.Paulo, SP (2003)


 Escrito por Mr Eddy às 16h49
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Top 10: Melhores Shows (parte I)

Segue abaixo uma lista com cinco dos melhores shows que assisti e porque eles foram especiais. Amanhã, posto a segunda parte desse Top 10. E você, esteve num desses shows? Comente e faça uma lista dos seus favoritos...

SOCIAL DISTORTION, House of Blues - Anaheim, USA (2002)<

Vi 2 shows do Social D na terra deles, Orange County. O primeiro, claro, foi mais especial. Abertura do Ignite e, no intervalo, uma coletânea do Clash nas caixas. As cortinas se abrem. Entra o veterano baixista John Maurer, o guitarrista Jason Wickersham (que substituiu o falecido Dennis Dannel) e o novo batera Charlie Quintana. Mike Ness entra por último, de sobretudo preto e chapéu de mafioso.

Abrem com "Lude Boy" e, daí pra frente, vários clássicos ("Ball & Chain", "Prison Bound", "Mommy's Little Monster") e algumas novas canções ("I Wasn't Born to Follow", "Don't Take Me for Granted").A platéia era uma mistura de topetudos, punk rockers e meninas no visual pin-up.

A melhor banda de rock'n'roll em atividade faz shows à altura de seu status de lenda do underground. Por conta da fidelidade do público de Orange County, rolaram diversos shows extras no mesmo House of Blues. Consegui assistir a um deles, desta vez com abertura do impagável Throwrag. O Social Distortion se baseou no mesmo set-list e tocou com a mesma inspiração. Ver uma de suas bandas favoritas depois de vários anos de espera e, ainda por cima, no palco perfeito, é algo para não esquecer.

MANO NEGRA, Aeroanta - S.Paulo, SP (1992)

No dia em que o SPFC conquistava sua primeira Copa Libertadores, atravessei a Paulista num momento que já atraía considerável multidão. Alheio ao futebol, eu pensava no show de uma das mais energéticas bandas do planeta. Já tinha visto um show do Mano Negra na semana anterior, no ainda recente boulevard do Anhangabaú, mas uma apresentação fechada no Aeroanta era promessa de uma noite inesquecível.

Cheguei no início do show, me infiltrei por entre o público e, num instante, estava na boca do palco. Manu Chao e companhia, que tinham vindo ao Brasil a bordo do navio Melquíades para a ECO 92, fizeram um show infernal! Salsa, rock'a'billy, punk rock e ritmos caribenhos numa mistura de ferver o sangue.

Quando o Mano Negra tocou o quase hit "King of Bongo", subi ao palco com um amigo para cantar o refrão. Anarquia pura! Depois do show, tomamos Ypioca no camarim com o guitarrista Roger Caugeot...


REVEREND HORTON HEAT, The Metro - Chicago, USA (2001)

Noite de reveillon em Chicago e um frio de gelar os ossos. Chego com minha namorada no Metro em cima da hora, pago 40 dólares por cada ingresso e, da bilheteria, já ouço os primeiros acordes do sensacional trio de Dallas!

Jim Heath trajava um de seus ternos de cowboy, Jimbo fazia malabarismos com seu contrabaixo de pau e Scott Churrilla segurava a bronca na batera.

O Metro é uma das mais importantes casas de shows de Chicago, onde Smashing Pumpkins começou a carreira e o Naked Raygun terminou. O lugar lembra um pouco o finado Dama Xoc, mas tem 2 andares.

O reverendo fazia mágicas com sua guitarra semi-acústica, enquanto emendava um cigarrinho ou um "shot" de tequila. Jim Heath é um clássico malandro do rock'n'roll e faz parte da mais fina linhagem texana, que inclui outros guitarristas fantásticos como Billy Gibbons, Paul Leary e Danny Gatton.

O show teve hits como "Wiggle Stick", "I Can't Surf", "Baddest of the Bad" e "Marijuana". Destruição rock'a'billy com direito a uma pausa à meia-noite, na virada do ano, pra todo mundo virar uma cerveja ou o que estivesse à mão. Inesquecível.


FUGAZI, Aeroanta - S.Paulo, SP (1994)

Ao todo, assisti a 4 shows do Fugazi. O primeiro na Praça da Estação, em Belo Horizonte, um outro em Santos e mais um na Broadway, em São Paulo. Porém, o mais memorável foi o realizado num lotadaço Aeroanta, na turnê do "In on the Kill Taker".

A entrega de Ian MacKaye e Guy Piccioto no palco é algo que jamais vi em qualquer outra banda. Os caras têm sangue na veia e a química entre eles é impressionante (Brendan Canty é uma máquina na batera e Joe Lally é o baixista mais cool do planeta). O público entrou em transe junto com a banda e aquela massa de gente pulava e se empurrava como se fosse a última noite da Terra. "Rend It", "Merchandise" e "Public Witness Program" quase botaram o Aeroanta abaixo.


NUCLEAR ASSAULT, Dama Xoc - S.Paulo, SP (1989)

Uma das mais carismáticas bandas de thrash metal do mundo no auge da carreira e com um set-list perfeito. Em fins dos anos 80, poucas bandas estrangeiras vinham ao Brasil e o Nuclear Assault foi tratado com a importância de um Rolling Stones ou Led Zeppellin!

Entrevistei o vocalista John Connelly no lobby do Hotel Panamericano num dia e, no seguinte, lá estava eu vendo o cara com sua voz rouca cantando clássicos da época como "Sin", "Betrayal" e "Stranded in Hell".
Na metade do show, sua guitarra pifou e ele terminou a apresentação apenas como vocalista, enquanto Anthony Bramante se virava para solar e fazer as bases. Valeu a pena, porque Connelly visivelmente se divertia no papel de "front man".

O lendário Dan Lilker (ex-Anthrax e SOD) quase destruía seu baixo com palhetadas violentas e o batera Glenn Evans mandava ver. O Sepultura, que abriu o show no lançamento do álbum "Beneath the Remains", foi reduzido a pó pelo Nuclear Assault.

(continua)


 Escrito por Mr Eddy às 03h49
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